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Enquanto produzimos, aprendemos, e enquanto aprendemos, pensamos.
Aqui estão algumas idéias sobre o que estamos fazendo.
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A concepção burguesa de arte
Por Chico Santa Rosa
A pergunta fundamental aqui é: o que vem a ser arte?
Em geral as pessoas não definem arte; apenas dão exemplos, ou reconhecem o que é uma obra ou um “produto” de arte, ou distingue quem é ou não é um artista. Não se preocupam muito em conceber o que é arte ou o que é o artista, ou por que ele existe, por que faz o que faz, etc. Não nos interessa aqui o conceito popularesco de arte ou de artista, embora de certo modo a ele nos referiremos também – esse conceito popularesco em geral confunde o profissional da indústria do entretenimento (o ator de televisão, que “interpreta” personagens em série, quase todos planos e estereotipados, ou o cantor de música “popular”, mais corretamente chamada de música “comercial”, que canta a mesma música por anos a fio, e por dinheiro) como sendo seus exemplos maiores (ou únicos) de “artistas”. Essa rarefação popular da cultura, contudo, quase nada tem de arte: isso é apenas o lado mais “industrial” da cultura de massa, e embora esteja na moda fazer apologia e alvoroço diante da mediocridade popular – chamada por outros nomes, é claro –, não estou muito preocupado em ser politicamente correto. Sigamos adiante.
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Cinema como fetiche, ou fazendo cinema e tirando onda
Por Chico Santa Rosa
Atualmente os profissionais de cinema reconhecem mais comumente dois tipos de filmes: o filme de autor e o filme comercial. No primeiro, reconhecem arte e idealismo. No segundo, a indústria de entretenimento: filmes de ação, tiros, comédias de humor rasteiro, diálogos recheados de frases de efeito, heróis, vilões, etc.
Nos anos 1960, o Cinema Novo e a estética da fome deram ao Brasil seu quinhão de sucesso europeu no campo do cinema de autor. Nos anos 1970 e 1980 o cinema de arte continuou a ser almejado no Brasil, mas o que dominou foi o sucesso do cinema de entretenimento local: a pornochanchada. De um lado o ideário socialista, a luta contra a ditadura e o deslumbramento frente à rápida mudança dos costumes no país: uso de drogas como libertadora da mente, hedonismo, sensualidade, nudez “artística”, liberação sexual, ódio à “burguesia”, etc. Era o desbunde revolucionário, a porralouquice libertária, a transgressão emancipadora... Do outro lado, era o sexo vulgar, o machismo de terceiro mundo, a pedofilia disfarçada (ou não tão disfarçada assim) e roteiros próximos aos de filmes pornográficos (com o mesmo grau de complexidade e inteligência, digamos).
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Curiosidades de Brasília: Filmes PIMBAS
Por Chico Santa Rosa
Aproveitei os feriados de final de ano para dar uma (re)assistida em alguns filmes pimbas.
A maioria dos filmes pimbas “clássicos” eu já conheço muito bem, pois, quando mais novo, assisti muitos deles influenciado por meu irmão mais velho, que os assistia como se fossem apenas “filmes de arte”.
Ainda hoje muitos destes filmes são tratados desta forma, como se o seu o seu lado pimba não existisse. É que para assistir bons filmes (“filmes de arte”, digamos), é preciso pescá-los em meio a um amontoado de filmes pimbas. Porque, em geral,
arte e pimbice se misturam – embora há quem considere tudo a mesma coisa, o que, obviamente, não é o meu caso.
Mas calma. Vou explicar, para quem não sabe, o que é um filme pimba.
Comecemos, contudo, explicando o que vem a ser PIMBA.
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Reflexões sobre o ato de fazer cinema
Por Chico Santa Rosa
Como podem ver, não sou um sujeito originário do cinema. Ainda sou um intruso recém chegado. Já freqüento festivais, contudo, há muitos anos, quase sempre como espectador. Devido ao “Samba de Uma Nova Gente”
(www.sambanovagente.com), no entanto, tenho agora freqüentado festivais de cinema como “candidato a profissional” da área, circulando e articulando pelos bastidores, observando a construção técnica, econômica e artística dos filmes, e conhecendo gente que produz cinema no Brasil.
Conversando com diretores, produtores e roteiristas – e no momento em que muitos deles estão mostrando pela primeira vez seus trabalhos em público (um momento quase sempre de fragilidade e insegurança para quem lida com “arte”) – foi possível refletir tanto sobre o trabalho daqueles que administram os recursos necessários para viabilizar os filmes quanto daqueles que fazem cinema porque desejam “viajar” na criação artística (seja no roteiro, na fotografia, no “conceito”, ou onde mais for possível). Cinema é feito de arte, técnica e dinheiro, mas comecemos por aquilo que me atraiu a este universo.
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